A Poluição da Água

 

Uma água está poluída quando as suas características físicas, químicas e biológicas são alteradas de forma a impedir a sua utilização, tornando-a imprópria para os diferentes usos a que se destina. Mais de metade dos rios e lagos estão poluídos. A poluição hídrica resulta do desenvolvimento descontrolado das actividades económicas e do crescimento demográfico, que não foram acompanhados pela construção de infra-estruturas de saneamento básico.

 

 

A Poluição

 

dos oceanos e mares

         Ao longo dos séculos os ciclos biológicos asseguraram a purificação das águas, dado que o mar constitui um meio desfavorável à maioria dos germes patogénicos (germes que produzem doenças). Contudo, actualmente, existe um estado de desequilíbrio que favorece o desenvolvimento de organismos patogénicos. A poluição por microorganismos é notória, mas  é de maior gravidade a poluição química.

 

dos rios e outros cursos de água

Com o aumento da população e a aparecimento da actividade industrial, a poluição de rios e lagos aumentou proporcionalmente.

Um curso de água considera-se poluído logo que a composição ou estado da água são directa ou indirectamente  moldado pela actividade humana, de tal maneira que a água não pode ser utilizada, sem tratamentos prévios.

 

das águas subterrâneas

As águas subterrâneas podem ser contaminadas por diversos tipos de substâncias substâncias, que diminuem a sua utilização. Felizmente, a contaminação ocorre lentamente, pois o seu trajecto é feito através do solo e de rochas permeáveis. Contudo, quando acontece, a contaminação é alargada e a fonte fica inutilizada, perdendo-se assim uma importante reserva de água potável. 

 

 

Principais agentes poluidores  e consequências da sua acção

 

Águas residuais domésticas

São os resíduos colectivos da vida diária. Podem conter bactérias, vírus e vermes (poluição biológica) e ainda detergentes, que além de tóxicos possuem fósforo.
São responsáveis por uma elevada carga poluente nos cursos de água, constituindo ainda uma ameaça à qualidade das águas subterrâneas.

Estas águas, quando não tratadas são um veículo de transmissão de várias doenças , principalmente as do sistema digestivo, como a cólera, a amebíase e a desinteria basilar.
 

Águas residuais industriais

Constituem a principal fonte de contaminação das águas. A maioria das indústrias utiliza a água em quantidades variáveis e em diferentes processos de fabricação. Existem processos industriais e energéticos que requerem volumes consideráveis de água para fins de arrefecimento ou de alimentação de caldeiras. Cada indústria é caracterizada por um conjunto mais ou menos extenso de compostos poluentes, com características tóxicas.

As descargas de águas residuais industriais no meio aquático pode provocar diversos problemas à saúde humana, como disfunção dos rins, problemas nos ossos e no sistema nervoso, assim como a morte de peixes.
As águas da lavagem de equipamentos industriais e as águas de arrefecimento, descarregadas em grandes volumes e as temperaturas mais elevadas que o meio receptor, podem modificar as condições ecológicas dos cursos de água.

 

 

 

Produção agrícola intensiva

A poluição provém principalmente dos pesticidas (fungicidas, herbicidas e  insecticidas) e fertilizantes (adubos e os correctivos do pH) quando usados de forma exagerada. Pela acção das chuvas estes produtos infiltram-se no solo e provocam a contaminação das águas subterrâneas. Estes produtos, quando chegam aos rios, fazem com que a quantidade de nutrientes na água aumente, o que dá origem a um aumento excessivo de algas e bactérias decompositoras que irão consumir o oxigénio destinado à respiração dos animais, provocando-lhes assim a  morte. 

 

 

Resíduos de origem animal

 

Os resíduos de origem animal, especialmente derivados de suiniculturas, vacarias, boviniculturas e aviculturas são os principais responsáveis pela poluição de águas subterrâneas e de rios. Existem, em Portugal, variados exemplos de rios e ribeiros poluídos por resíduos desta natureza. Os estrumes compostos de urina e excrementos de animais espalham-se nos campos e, tal como acontece com os pesticidas e fertilizantes, infiltram-se no solo e contaminam as águas subterrâneas. As águas contaminadas por estes resíduos podem causar inúmeras doenças.

 

Resíduos Sólidos Domésticos (RSD)

 

 Inclui, por ordem decrescente, materiais fermentáveis, papel e cartão, plásticos, vidro, têxteis, metais, madeira, borracha e e ainda pilhas e baterias.

A longa vida útil da maioria destes  materiais tem provocado a acumulação de montanhas de resíduos sólidos nos oceanos.

Na tabela ao lado podemos verificar o tempo que alguns RSD demoram a decompor-se na água.

Estes resíduos são responsáveis pela morte de inúmeros organismos marinhos.

Resíduos petrolíferos e derrame de óleo

 

São basicamente hidrocarbonetos  e derivam do tráfego marítimo, descargas de navios, exploração de poços de petróleo; limpeza dos tanques dos petroleiros e acidentes com os mesmos, refinarias e instalações petroquímicas costeiras, resíduos urbanos, carregamento por águas das chuvas e dos rios, infiltrações naturais e precipitação atmosférica. Estes resíduos constituem um perigo de morte para as espécies marinhas.

 

 

 

Chuvas ácidas

 

 A água das chuvas está razoavelmente despoluída, movendo-se, após precipitação, através do sistema terrestre de meios aquáticos: riachos, rios, lagos e estuários, até ao mar. Durante o seu trajecto, alguns materiais resultantes das fábricas e da circulação dos automóveis tenderão a dissolver-se ou a entrar em suspensão na água.

A chuva ácida destrói a fauna e a flora dos rios, danifica florestas e até edifícios.

 

 

Medidas para reduzir a poluição da água

Ä Incentivo à prática de uma agricultura biológica (não utiliza produtos químicos)

Ä Desenvolvimento de  campanhas de sensibilização das populações nos órgãos de comunicação social.

Ä  Reforço da prática de  processos científicos e tecnológicos  que permitem uma redução significativa da  poluição da água, através do seu tratamento e reutilização. Assim, é importante rentabilizar as  Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR’s), uma vez que estas são, certamente, o destino mais adequado à promoção da saúde pública e à preservação dos recursos hídricos, de modo a evitar a sua contaminação. As ETAR's  recebem as águas poluídas que, depois de tratadas,  entram de novo no ciclo, evitando assim grandes perdas.

Ä Recolha, separação e tratamento dos RSD’s. Os RSD’s que se produzem, devem ser separados por categorias e encaminhados para locais de recepção adequados, para serem reciclados e reutilizados. Nesses locais os resíduos são tratados através de técnicas  diversificadas, tais como:

Incineração - Consiste na queima dos resíduos sólidos domésticos. Esta técnica tem gerado controvérsia, tendo sido mesmo abandonada por vários países, devido à suspeita de problemas ambientais, nomeadamente do ar e da água.

Reciclagem - É uma forma de valorização dos resíduos na qual se recuperam diferentes materiais constituintes dos resíduos sólidos urbanos e domésticos para integrar novos processos de fabrico.

Compostagem -Trata-se de uma técnica de reciclagem da matéria orgânica. Com esta técnica a matéria orgânica é devolvida à natureza sob a forma de um adubo 100% natural - o composto.

Aterro sanitário -  É um local “de eliminação, é utilizado para a deposição controlada de resíduos acima ou abaixo da superfície natural. Nesses aterros, os resíduos são lançados ordenadamente e cobertos com terra ou material similar, existe controlo sistemático das águas lixiviantes e de gases produzidos, bem como um controle do impacto ambiental durante a operação e após o seu encerramento”.